Como educar os filhos quando há visões diferentes?


O diálogo a seguir lhe soa familiar?

“Você facilita muito para as crianças…”

“Não, você é quem restringe demais…”

Essa é uma das questões frequentemente trazidas ao meu consultório, na qual os casais ficam realmente presos em lutas pelo poder na criação dos filhos. Várias vezes, um é muito rígido e o outro permissivo demais. Conflitos sobre como lidar com os filhos, normalmente, vêm da diferença entre os valores dos cônjuges, cuja raiz está nas crenças de cada um sobre o que funcionou, ou não, em suas famílias de origem. Isso acaba fazendo com que sejam fortemente comprometidos com essas crenças e, por isso, é muito difícil negociar ou fazer concessões com elas.

Já que os cônjuges não têm muita facilidade em mudar as crenças que apoiam seus valores, alguns acordos feitos entre eles são facilmente esquecidos ou quebrados. Quando tentam discutir o assunto, geralmente, cometem um dos dois erros a seguir:

  1. Ambos forçam demais para que a sua solução seja adotada, sem flexibilidade alguma, cada um se colocando como a única pessoa certa na situação, ou;
  2. Desistem muito rapidamente de argumentar e se escondem com seus pensamentos e sentimentos, para “manter a paz”.

Sinto muito em dizer que essas estratégias não funcionam, pois não levam à uma solução verdadeira… O resultado delas é ressentimento, diminuição da intimidade entre o casal e pouco interesse em acompanhar o que acontece depois em relação a aquele assunto. As pessoas acabam “deixando pra lá”, o que traz consequências piores para todos mais à frente.

Não podemos nos enganar de que é fácil e simples negociar e chegar a acordos reais nesses casos, mas é possível. Tenho ajudado várias pessoas a entender que, para tanto, algumas mudanças são imprescindíveis, tais como, haver respeito genuíno, interesse real em entender o ponto de vista do outro, e disposição de ambos para ceder no que for necessário em prol do melhor para aquela situação. Relacionamentos humanos prazerosos dão trabalho no dia a dia, mas valem a pena!

É muito importante também neste cenário, que haja bastante clareza dos papéis na família – quem tem autoridade para quê e quem tem responsabilidade pelo quê. Esse ponto tem sido especialmente difícil para alguns casais, mas sem essas premissas básicas, pode-se antever tempos bastante difíceis na família, já que as questões de responsabilidade e autoridade não se aplicam apenas à criação de filhos, mas a diversos aspectos da vida em comum.

Há muitas vertentes a serem tratadas em assuntos como esse, e claro que cada caso é específico, mas é crucial que, identificado um problema para o qual não se consegue uma solução, busque-se rapidamente a ajuda adequada para resolvê-lo, antes que aquilo se torne uma bola de neve incontrolável em seguida.

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